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OUTRO
24 JAN, 7 FEV, 28 FEV, 13 MAR, 27 MAR, 10 ABR, 24 ABR, 8 MAI, 22 MAI, 5 JUN, 19 JUN, 3 JUL

LER DOM QUIXOTE

JARDIM DE INVERNO
TERÇAS ÀS 21H00

Sinopse

SESSÃO 19 DE JUNHO
Leitura dos capítulos
30 e 31 (História da Princesa Micomicona – Dom Quixote e Sancho – Sancho e Dulcinea – O reencontro com Andrés)

Tema
A ficção da realidade e a realidade da ficção. A “existência”

Tal como Cardénio, Doroteia conta a sua história ao barbeiro e ao cura, que a encontram na mesma serra onde procuram D. Quixote para o convencer a voltar para a sua aldeia. Doroteia, plebeia mas instruída na leitura de muitos livros de cavalarias, e de espírito cortesão, rapidamente se junta ao plano dos dois de encenar uma história de princesa em apuros que leve D. Quixote a seguí-la e a regressar a casa. Assim surge a princesa Micomicona e mais uma rede de enganos e travestimentos de que Sancho – que reaparece depois de supostamente ter entregue a carta do seu amo a Dulcineia – também será vítima para grande divertimento do barbeiro e do cura. O plano a que Doroteia dá corpo acrescenta mais um nível à já complexa história do Quixote ao recriar, no plano da “realidade”, a “ficção” dos livros de cavalarias. O mundo imaginário do nosso cavaleiro é reinventado pelos seus amigos numa tentativa de o resgatarem para a realidade. Confuso? De tal forma que o nosso convidado desta sessão de 19 de Junho é também ele imaginário, ou não...

Para mostrar que os nossos personagens estão tão perplexos como nós nesta fase da história, heis um excerto de um diálogo do capítulo 30 entre o cura e Cardénio, na tradução de José Bento, em que o próprio Cervantes se pisca o olho fazendo-se comentar por um dos seus personagens:

Cura: "Mas – não é coisa estranha ver com quanta facilidade este desventurado fidalgo acredita em todas estas invenções e mentiras, somente porque têm o mesmo estilo e jeito das patranhas dos livros que leu?".

– "É verdade – disse Cardénio –, e é coisa rara e nunca vista que não sei se querendo inventá-la e fabricá-la com mentiras, haveria uma inteligência tão penetrante que pudesse criá-la. ".


Links úteis
Capítulo 30: Que trata del gracioso artificio y orden que se tuvo en sacar a nuestro enamorado caballero de la asperísima penitencia en que se había puesto

Capítulo 31: De los sabrosos razonamientos que pasaron entre don Quijote y Sancho Panza, su escudero, con otros sucesos


Comissários Alvaro García de Zúñiga e Teresa Albuquerque
Um programa São Luiz Teatro Municipal

Sinopse

SESSÃO 19 DE JUNHO
Leitura dos capítulos
30 e 31 (História da Princesa Micomicona – Dom Quixote e Sancho – Sancho e Dulcinea – O reencontro com Andrés)

Tema
A ficção da realidade e a realidade da ficção. A “existência”

Tal como Cardénio, Doroteia conta a sua história ao barbeiro e ao cura, que a encontram na mesma serra onde procuram D. Quixote para o convencer a voltar para a sua aldeia. Doroteia, plebeia mas instruída na leitura de muitos livros de cavalarias, e de espírito cortesão, rapidamente se junta ao plano dos dois de encenar uma história de princesa em apuros que leve D. Quixote a seguí-la e a regressar a casa. Assim surge a princesa Micomicona e mais uma rede de enganos e travestimentos de que Sancho – que reaparece depois de supostamente ter entregue a carta do seu amo a Dulcineia – também será vítima para grande divertimento do barbeiro e do cura. O plano a que Doroteia dá corpo acrescenta mais um nível à já complexa história do Quixote ao recriar, no plano da “realidade”, a “ficção” dos livros de cavalarias. O mundo imaginário do nosso cavaleiro é reinventado pelos seus amigos numa tentativa de o resgatarem para a realidade. Confuso? De tal forma que o nosso convidado desta sessão de 19 de Junho é também ele imaginário, ou não...

Para mostrar que os nossos personagens estão tão perplexos como nós nesta fase da história, heis um excerto de um diálogo do capítulo 30 entre o cura e Cardénio, na tradução de José Bento, em que o próprio Cervantes se pisca o olho fazendo-se comentar por um dos seus personagens:

Cura: "Mas – não é coisa estranha ver com quanta facilidade este desventurado fidalgo acredita em todas estas invenções e mentiras, somente porque têm o mesmo estilo e jeito das patranhas dos livros que leu?".

– "É verdade – disse Cardénio –, e é coisa rara e nunca vista que não sei se querendo inventá-la e fabricá-la com mentiras, haveria uma inteligência tão penetrante que pudesse criá-la. ".


Links úteis
Capítulo 30: Que trata del gracioso artificio y orden que se tuvo en sacar a nuestro enamorado caballero de la asperísima penitencia en que se había puesto

Capítulo 31: De los sabrosos razonamientos que pasaron entre don Quijote y Sancho Panza, su escudero, con otros sucesos


Comissários Alvaro García de Zúñiga e Teresa Albuquerque
Um programa São Luiz Teatro Municipal

Críticas

Não existem críticas.

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Comentários

Alvaro Garcia de Zúñiga
24 Março 2012 - 17h06m
Cara Maria João, obrigado pelos comentários. Se os capítulos da última sessão se revelaram difíceis foi inteiramente devido a mim, as nossas desculpas, vou e vamos esforçar-nos por ser mais claros nas próximas sessões. As perguntas sempre são uma enorme ajuda para o grupo e fundamentalmente para nós. Por isso sempre que tiver uma dúvida, por favor, não hesite, não hesitem. Quero agradecer-lhe também por nos ter feito conhecer a versão audiovisual da peça “Vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança” realizada pelo Jorge Listopad. Tentando agora responder às suas questões : a peça “Vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança” foi escrita em português, é uma ópera jocosa escrita para marionetas, como aliás a generalidade das peças do autor, foi estreada no Teatro do Bairro Alto (um salão na Rua da Rosa) em 1733. É a primeira peça de António José da Silva. A ópera jocosa era um género bastante popular e o facto das peças serem representadas por marionetas (bonecos grandes, com cerca de metro e meio, suspensos e manipulados através de arames), permitia não apenas a contenção financeira necessária, mas também uma maior liberdade na expressão crítica e satírica. No entanto, o exercício dessa liberdade custou a vida ao autor poucos anos passados, como sabemos. As marionetas eram maioritariamente feitas de cortiça e arame e com elas contracenavam actores reais. As cenas do Quixote que escolheu António José da Silva para escrever a sua comédia são todas do segundo livro, que Cervantes publicou em 1615. A pesar de mudar certos aspectos, a maior parte da história, como a compôs António José da Silva, vem do original Cervantino. No episódio original da governação da "insula" (Sancho não percebe que "insula" é a forma antiga da palavra "ilha" e por isso a sua ilha - chamada "Barataria", no texto de Cervantes - está rodeada de terra...), é mais um dos muitos requintes de malvadez que os duques (na versão do Judeu são simplesmente um cavaleiro e uma dama) têm para com Dom Quixote e Sancho, sendo este, o da governação da ínsula, um presente envenenado que acaba por chegar a bom porto, porque Sancho se revela um excelente governador e, sobretudo, uma pessoa de muito bom senso. Penso que a escolha das cenas que fez Antonio José da Silva se deve, como diz, à vontade de questionar o exercício do poder e, talvez, sobretudo, da justiça, já que esta última, como sabemos, tinha sido particularmente injusta para Antonio José logo desde o seu nascimento no Rio de Janeiro, até que, poucos anos mais tarde, acabaria por matá-lo ... É também possível que no século XVIII a personagem de Sancho provocasse maior empatia com o público, talvez por essa razão maior destaque lhe é dado na peça de "O Judeu" a somar às razões políticas que citou. Ainda relativamente à questão da ínsua, parece que esse episódio, acabou por ser objecto de publicação (e talvez representação) autónoma, dado o seu sucesso popular. Mais uma vez muito obrigado pelos comentários, e esperamos por si na terça na leitura da “Vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança”. Alvaro García de Zúñiga
Maria José Proença
21 Março 2012 - 14h14m
Tenho acompanhado a leitura do D. Quixote e os capítulo lidos no dia 13 de Março revelaram-se de interpretação extremamente difícil para quem não tem formação na área das humanidades, de modo que tenho - me concentrado na próxima leitura ou seja no texto do António José da Silva. Tenho duas perguntas a fazer: o texto original foi escrito em castelhano ou em português? A peça destinava-se a ser representada por marionetas? Estive a ver na internet a peça homónima que a RTP exibiu em 1971, com a Álvaro Benamor e o Nicolau Breyner. Na segunda parte o Sancho Pança é a principal personagem. Qual é o objetivo do autor? Questionar o poder? Ou é muito mais do que isso? Acho que a cena de atribuir a ínsua ao escudeiro tem "requintes de malvadez". Aguardo resposta. Maria José Proença
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