DEBATE
2 dez

Falas da e sobre as Américas

Passado e Presente, Lisboa – Capital Ibero-Americana de Cultura 2017
Sala Luis Miguel Cintra
Sábado, 15h

Sinopse

FALAS DAS E SOBRE AS AMÉRICAS
SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
DIA 2 DE DEZEMBRO
SÁBADO - 15H00 > 18H30

Existe um mundo ibero-americano? O que é a América Latina de hoje? Tem ainda algum sentido falar de arte latino-americana? No final dos ciclos de seminários, lições, colóquios, espetáculos e exposições, será este o momento certo para refletir sobre as questões atrás enunciadas, agora à luz da experiência da receção e da materialização de todo o programa e, muito em particular, a partir das questões de representação e do que é percecionado nos conceitos, nos temas, nas expressões utilizadas, imprecisas certamente, ambíguas com certeza, com significados flutuantes. 

Para tanto é que este seminário seja realizado conjugando elocuções de investigadores da Europa, da América do Sul e de uma investigadora que é observadora permanente e ativa das Américas quer na universidade de Quito, quer em universidades dos EUA.

Moderação: 
Margarida Calafate Ribeiro (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

Margarida Calafate Ribeiro é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Aveiro (1988), mestre em Literatura e Cultura Portuguesa: Época Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa (1993) e doutorada em Estudos Portugueses pelo King's College, Universidade de Londres (2001). É investigadora-coordenadora no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (desde 2004) e membro do Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP). É professora no programa de doutoramento Patrimónios de Influência Portuguesa (III/CES) da Universidade de Coimbra (desde 2010), de que é coordenadora científica com Miguel Bandeira Jerónimo e Walter Rossa e, com Roberto Vecchi, responsável pela "Cátedra Eduardo Lourenço", Camões / Universidade de Bolonha. Em 2015 recebeu uma bolsa Consolidator Grant do Conselho Europeu de Investigação (ERC), com o projeto de investigação «MEMOIRS - Filhos de Império e Pós-Memórias Europeias», que coordena no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. É autora, coautora e organizadora de vários livros, capítulos de livros e artigos.

Comunicações:

Os (ab)usos da metageografia
Miguel Bandeira Jerónimo (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala/América Latina. 
Catherine Walsh (Universidad Andina Simón Bolívar, Equador)

Problematizando el colonialismo
Gonzalo Portocarrero (Pontificia Universidad Católica del Perú)

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ 

Os (ab)usos da metageografia
Miguel Bandeira Jerónimo (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

A ideia de metageografia remete para os processos de construção histórica de unidades espaciais em torno das quais o conhecimento sobre o mundo é organizado. Estes processos têm possibilitado a imaginação e a cartografia política da identidade e da diferença – social, cultural, geográfica, fenotípica – a uma escala global. O seu estudo crítico, ou seja, o escrutínio dos seus (ab)usos instrumentais, nomeadamente os de natureza (geo)política, é  imprescindível. Esta comunicação procurará demonstrar porquê e como, tomando a “invenção” de “África” e da “América Latina” como exemplos.

MIGUEL BANDEIRA JERÓNIMO (PhD King's College, University of London, 2008) é Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. É Professor no programa de doutoramento em Patrimónios de Influência Portuguesa (III/CES) da Universidade de Coimbra (desde 2012), do qual é co-coordenador científico (desde 2016). Foi Professor Visitante na Universidade de Brown (EUA, 2001 e 2012) e Investigador Visitante no King's College London, Universidade de Londres (2012-2013). Entre 2009 e 2015 foi investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Os seus interesses de pesquisa centram-se na História Global e Comparada do Imperialismo e do Colonialismo (Sécs. XVIII-XX). Em 2010, publicou Livros Brancos, Almas Negras: A "Missão Civilizadora" do Colonialismo Português, c. 1870-1930 (Imprensa de Ciências Sociais). Em 2012, publicou A Diplomacia do Imperialismo. Política e Religião na Partilha de África (1820-1890) (Edições 70) e editou O Império Colonial em Questão (Edições 70). Em 2014 co-editou Portugal e o fim do Colonialismo. Dimensões internacionais e, em 2015, The ends of European colonial empires: Cases and comparisons (Palgrave Macmillan) e Os passados do presente: Internacionalismo, imperialismo e a construção do mundo contemporâneo (Almedina). Em 2015 publicou ainda The "Civilizing Mission" of Portuguese Colonialism (c.1870-1930) (Palgrave Macmillan). Em 2017, co-editou Internationalism, imperialism and the formation of the contemporary world (Palgrave Macmillan). É co-editor da colecção História & Sociedade nas Edições 70 e da colecção The Portuguese Speaking World: Its History, Politics and Culture na Sussex Academic.


Interculturalidade e (de)colonialidade? Gritos, fendas e sementeiras desde a Abya Yala/América Latina. 
Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala/América Latina. 
Catherine Walsh (Universidad Andina Simón Bolívar, Equador)

Na região designada América Latina, que os povos originários conhecem como Abya Yala, a colonialidade, decolonialidade e interculturalidade são componentes constitutivas das lutas de existência e vida. Esta comunicação pretende analisar as tensões que dizem respeito a estes termos actualmente, numa região onde violência, silenciamento, guerra e morte do capitalismo global caraterizam cada vez mais a vida quotidiana não só em países com governos de direita e neoliberais, como também nos chamados “progressistas”. É perante esta realidade que falo desde e com os gritos, mas também desde e com as fendas e sementeiras.


CATHERINE WALSH 
é socióloga, pedagoga e intelectual-militante, implicada durante muitos anos nos processos e lutas pela justiça e transformação social e decolonial, inicialmente nos Estados Unidos e, nos últimos quase 25 anos no Equador e América Latina, onde tem vindo a acompanhar movimentos sociais, indígenas e afrodescendentes. É professora principal da Universidad Andina Simón Bolívar, com sede no Equador, e directora do programa de doutoramento em Estudos Culturais Latino-americanos desta instituição; também coordenou a Cátedra de Estudos Afro-Andinos. Foi professora convidada em numerosas universidades nos Estados Unidos, Canadá, Europa, América Latina e Caribe. O seu trabalho académico, expresso em mais de 200 publicações em várias línguas, aborda, entre outros temas, o projeto político, epistémico e ético da interculturalidade crítica e da decolonialidade, tomando como eixos centrais as geopolíticas do conhecimento, filosofias de vida-existência, educação, pensamento ancestral, pensamento feminista, plurinacionalismo e a refundação de estados, pluralismo legal, bem como as pedagogias decoloniais de resistência, insurgência e (re)existência. Destacam-se, das suas publicações mais recentes: Pedagogías decoloniales. Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir, Tomo II. (Quito: Ediciones Abya-Yala, 2017); Pensar sembrando/Sembrar pensando con el Abuelo Zenón (con Juan García Salazar) (Quito: Universidad Andina Simón Bolívar/Ediciones Abya-Yala, 2017); “Decolonial Notes to Paulo Freire Walking and Asking,” en Educational Alternatives in Latin America (R. Aman y T. Ireland, eds., Palgrave/Macmillan, 2017); “Notas pedagógicas a partir das brechas decoloniais,” en Interculturalizar, descolonizar, democratizar (V. Candau, ed., Rio de Janeiro: 7 Letras, 2016), “On Gender and its Otherwise,” en The Palgrave Handbook on Gender and Development Handbook: Critical engagements in feminist theory and practice (W. Harcourt, ed., London: Palgrave, 2016). Publicará, em maio de 2018, com Walter Mignolo: On Decoloniality: Concepts, Analytics, Praxis, o primeiro volume da série “On Decoloniality” de Duke Univerity Press (série coordenada por Mignolo e Walsh). Catherine Walsh foi conferencista convidada em centenas de eventos e congressos científicos em todo o mundo.

Problematizando o colonialismo
Problematizando el colonialismo
Gonzalo Portocarrero (Pontificia Universidad Católica del Perú)

Se definimos os intelectuais como os criadores de (re)presentações coletivas que proporcionam um sentimento de identidade às diferentes sociedades onde vivem; então deve reconhecer-se que os intelectuais latino-americanos tiveram a sua tarefa dificultada pelo prestígio incontornável dos autores europeus. Por representações de tal forma consagradas que se tornaram em imagens oficiais de cada um dos países. O autoconhecimento das sociedades latino-americanas viu-se interferido e desfigurado por uma série de projeções e conceitos que, surgidos nas metrópoles, impediam pensar a originalidade das sociedades latino-americanas. Assim, o afã por produzir imagens mais verídicas da realidade tinha que entrar em choque com o senso comum colonial. Na verdade era necessária uma descolonização, uma tomada de consciência das diferenças latino-americanas, que teriam que ser assumidas como realidades que requerem uma peculiar elaboração conceptual para serem visíveis. Debruçar-me-ei sobre o caso do racismo. No mundo colonial muitas sociedades latino-americanas orgulhavam-se por não se deixarem influenciar pelo racismo e por fomentarem a mestiçagem. Cedo o racismo deixaria de poder ser significativo pela mistura substancial de raças e culturas que definem a América Latina. Contudo, se o racismo não funcionara exatamente como na Europa e nos Estados Unidos, isso não significava que não existia, mas antes que tinha uma dinâmica distinta que era necessário concetualizar. E para tal era necessária a criatividade dos intelectuais, sobretudo a sua capacidade de analisar o concreto que está à nossa frente; em vez de esgotar-se na referência aos grandes autores europeus.


GONZALO PORTOCARRERO nasceu em Lima, Peru. Formou-se na Universidade Nacional Maior de São Marcos, pela Faculdade de Ciências Sociais, e também estudou Letras na Pontifícia Universidade Católica do Peru. É mestre em Sociologia pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e doutor na mesma disciplina pela Universidade de Essex (Inglaterra). Trabalha como professor principal do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Peru. Foi professor visitante em universidades dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, México, Venezuela e Reino Unido. É membro do Conselho Directivo da “Red para el Desarrollo de las Ciencias Sociales”, espaço intelectual dinâmico de discussão neo-marxista sobre a problemática peruana. É Decano da Ordem dos Sociólogos no Peru. Em 2008 criou o primeiro programa de Estudos Culturais no Peru, culminando a investigação em torno destes temas que iniciou no final da década de noventa. A sua obra está fortemente influenciada pelo cunho deixado pelo historiador Alberto Flores Galindo. Bibliografia: De Bustamante a Odría. El fracaso del Frente Democrático Nacional. 1945-1950 (1983), El Perú desde la escuela (1989), Las clases medias: entre la pretensión y la incertidumbre (1998), Razones de sangre. Aproximaciones a la violencia política (1998), Rostros criollos del mal: cultura y transgresión en la sociedad peruana (2004), Racismo y mestizaje y otros ensayos (2007), Figuraciones del mundo juvenil en el cine contemporáneo (2010), Oído en el silencio. Ensayos de crítica cultural (2010), Profetas del odio: raíces culturales y líderes de Sendero Luminoso (2012), La urgencia por decir "nosotros". Los intelectuales y la idea de nación en el Perú republicano (2015), Imaginando al Perú. Búsquedas desde lo andino en arte y literatura (2015). Investigações: La mentalidad de los empresarios peruanos (2003-2004) e Cine peruano contemporáneo: qué nos dice del Perú de hoy (2016), entre outras.

apresentação do seminário

Problematizando el colonialismo
Gonzalo Portocarrero (Pontificia Universidad Católica del Perú)

Os (ab)usos da metageografia
Miguel Bandeira Jerónimo (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)
 
Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala/América Latina. 
Catherine Walsh (Universidad Andina Simón Bolívar, Equador)

a mediação e a síntese final será feita pela Prof Margarida Calafate Ribeiro


Sinopse

FALAS DAS E SOBRE AS AMÉRICAS
SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL
DIA 2 DE DEZEMBRO
SÁBADO - 15H00 > 18H30

Existe um mundo ibero-americano? O que é a América Latina de hoje? Tem ainda algum sentido falar de arte latino-americana? No final dos ciclos de seminários, lições, colóquios, espetáculos e exposições, será este o momento certo para refletir sobre as questões atrás enunciadas, agora à luz da experiência da receção e da materialização de todo o programa e, muito em particular, a partir das questões de representação e do que é percecionado nos conceitos, nos temas, nas expressões utilizadas, imprecisas certamente, ambíguas com certeza, com significados flutuantes. 

Para tanto é que este seminário seja realizado conjugando elocuções de investigadores da Europa, da América do Sul e de uma investigadora que é observadora permanente e ativa das Américas quer na universidade de Quito, quer em universidades dos EUA.

Moderação: 
Margarida Calafate Ribeiro (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

Margarida Calafate Ribeiro é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Aveiro (1988), mestre em Literatura e Cultura Portuguesa: Época Contemporânea pela Universidade Nova de Lisboa (1993) e doutorada em Estudos Portugueses pelo King's College, Universidade de Londres (2001). É investigadora-coordenadora no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (desde 2004) e membro do Núcleo de Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP). É professora no programa de doutoramento Patrimónios de Influência Portuguesa (III/CES) da Universidade de Coimbra (desde 2010), de que é coordenadora científica com Miguel Bandeira Jerónimo e Walter Rossa e, com Roberto Vecchi, responsável pela "Cátedra Eduardo Lourenço", Camões / Universidade de Bolonha. Em 2015 recebeu uma bolsa Consolidator Grant do Conselho Europeu de Investigação (ERC), com o projeto de investigação «MEMOIRS - Filhos de Império e Pós-Memórias Europeias», que coordena no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. É autora, coautora e organizadora de vários livros, capítulos de livros e artigos.

Comunicações:

Os (ab)usos da metageografia
Miguel Bandeira Jerónimo (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala/América Latina. 
Catherine Walsh (Universidad Andina Simón Bolívar, Equador)

Problematizando el colonialismo
Gonzalo Portocarrero (Pontificia Universidad Católica del Perú)

~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ 

Os (ab)usos da metageografia
Miguel Bandeira Jerónimo (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

A ideia de metageografia remete para os processos de construção histórica de unidades espaciais em torno das quais o conhecimento sobre o mundo é organizado. Estes processos têm possibilitado a imaginação e a cartografia política da identidade e da diferença – social, cultural, geográfica, fenotípica – a uma escala global. O seu estudo crítico, ou seja, o escrutínio dos seus (ab)usos instrumentais, nomeadamente os de natureza (geo)política, é  imprescindível. Esta comunicação procurará demonstrar porquê e como, tomando a “invenção” de “África” e da “América Latina” como exemplos.

MIGUEL BANDEIRA JERÓNIMO (PhD King's College, University of London, 2008) é Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. É Professor no programa de doutoramento em Patrimónios de Influência Portuguesa (III/CES) da Universidade de Coimbra (desde 2012), do qual é co-coordenador científico (desde 2016). Foi Professor Visitante na Universidade de Brown (EUA, 2001 e 2012) e Investigador Visitante no King's College London, Universidade de Londres (2012-2013). Entre 2009 e 2015 foi investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Os seus interesses de pesquisa centram-se na História Global e Comparada do Imperialismo e do Colonialismo (Sécs. XVIII-XX). Em 2010, publicou Livros Brancos, Almas Negras: A "Missão Civilizadora" do Colonialismo Português, c. 1870-1930 (Imprensa de Ciências Sociais). Em 2012, publicou A Diplomacia do Imperialismo. Política e Religião na Partilha de África (1820-1890) (Edições 70) e editou O Império Colonial em Questão (Edições 70). Em 2014 co-editou Portugal e o fim do Colonialismo. Dimensões internacionais e, em 2015, The ends of European colonial empires: Cases and comparisons (Palgrave Macmillan) e Os passados do presente: Internacionalismo, imperialismo e a construção do mundo contemporâneo (Almedina). Em 2015 publicou ainda The "Civilizing Mission" of Portuguese Colonialism (c.1870-1930) (Palgrave Macmillan). Em 2017, co-editou Internationalism, imperialism and the formation of the contemporary world (Palgrave Macmillan). É co-editor da colecção História & Sociedade nas Edições 70 e da colecção The Portuguese Speaking World: Its History, Politics and Culture na Sussex Academic.


Interculturalidade e (de)colonialidade? Gritos, fendas e sementeiras desde a Abya Yala/América Latina. 
Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala/América Latina. 
Catherine Walsh (Universidad Andina Simón Bolívar, Equador)

Na região designada América Latina, que os povos originários conhecem como Abya Yala, a colonialidade, decolonialidade e interculturalidade são componentes constitutivas das lutas de existência e vida. Esta comunicação pretende analisar as tensões que dizem respeito a estes termos actualmente, numa região onde violência, silenciamento, guerra e morte do capitalismo global caraterizam cada vez mais a vida quotidiana não só em países com governos de direita e neoliberais, como também nos chamados “progressistas”. É perante esta realidade que falo desde e com os gritos, mas também desde e com as fendas e sementeiras.


CATHERINE WALSH 
é socióloga, pedagoga e intelectual-militante, implicada durante muitos anos nos processos e lutas pela justiça e transformação social e decolonial, inicialmente nos Estados Unidos e, nos últimos quase 25 anos no Equador e América Latina, onde tem vindo a acompanhar movimentos sociais, indígenas e afrodescendentes. É professora principal da Universidad Andina Simón Bolívar, com sede no Equador, e directora do programa de doutoramento em Estudos Culturais Latino-americanos desta instituição; também coordenou a Cátedra de Estudos Afro-Andinos. Foi professora convidada em numerosas universidades nos Estados Unidos, Canadá, Europa, América Latina e Caribe. O seu trabalho académico, expresso em mais de 200 publicações em várias línguas, aborda, entre outros temas, o projeto político, epistémico e ético da interculturalidade crítica e da decolonialidade, tomando como eixos centrais as geopolíticas do conhecimento, filosofias de vida-existência, educação, pensamento ancestral, pensamento feminista, plurinacionalismo e a refundação de estados, pluralismo legal, bem como as pedagogias decoloniais de resistência, insurgência e (re)existência. Destacam-se, das suas publicações mais recentes: Pedagogías decoloniales. Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir, Tomo II. (Quito: Ediciones Abya-Yala, 2017); Pensar sembrando/Sembrar pensando con el Abuelo Zenón (con Juan García Salazar) (Quito: Universidad Andina Simón Bolívar/Ediciones Abya-Yala, 2017); “Decolonial Notes to Paulo Freire Walking and Asking,” en Educational Alternatives in Latin America (R. Aman y T. Ireland, eds., Palgrave/Macmillan, 2017); “Notas pedagógicas a partir das brechas decoloniais,” en Interculturalizar, descolonizar, democratizar (V. Candau, ed., Rio de Janeiro: 7 Letras, 2016), “On Gender and its Otherwise,” en The Palgrave Handbook on Gender and Development Handbook: Critical engagements in feminist theory and practice (W. Harcourt, ed., London: Palgrave, 2016). Publicará, em maio de 2018, com Walter Mignolo: On Decoloniality: Concepts, Analytics, Praxis, o primeiro volume da série “On Decoloniality” de Duke Univerity Press (série coordenada por Mignolo e Walsh). Catherine Walsh foi conferencista convidada em centenas de eventos e congressos científicos em todo o mundo.

Problematizando o colonialismo
Problematizando el colonialismo
Gonzalo Portocarrero (Pontificia Universidad Católica del Perú)

Se definimos os intelectuais como os criadores de (re)presentações coletivas que proporcionam um sentimento de identidade às diferentes sociedades onde vivem; então deve reconhecer-se que os intelectuais latino-americanos tiveram a sua tarefa dificultada pelo prestígio incontornável dos autores europeus. Por representações de tal forma consagradas que se tornaram em imagens oficiais de cada um dos países. O autoconhecimento das sociedades latino-americanas viu-se interferido e desfigurado por uma série de projeções e conceitos que, surgidos nas metrópoles, impediam pensar a originalidade das sociedades latino-americanas. Assim, o afã por produzir imagens mais verídicas da realidade tinha que entrar em choque com o senso comum colonial. Na verdade era necessária uma descolonização, uma tomada de consciência das diferenças latino-americanas, que teriam que ser assumidas como realidades que requerem uma peculiar elaboração conceptual para serem visíveis. Debruçar-me-ei sobre o caso do racismo. No mundo colonial muitas sociedades latino-americanas orgulhavam-se por não se deixarem influenciar pelo racismo e por fomentarem a mestiçagem. Cedo o racismo deixaria de poder ser significativo pela mistura substancial de raças e culturas que definem a América Latina. Contudo, se o racismo não funcionara exatamente como na Europa e nos Estados Unidos, isso não significava que não existia, mas antes que tinha uma dinâmica distinta que era necessário concetualizar. E para tal era necessária a criatividade dos intelectuais, sobretudo a sua capacidade de analisar o concreto que está à nossa frente; em vez de esgotar-se na referência aos grandes autores europeus.


GONZALO PORTOCARRERO nasceu em Lima, Peru. Formou-se na Universidade Nacional Maior de São Marcos, pela Faculdade de Ciências Sociais, e também estudou Letras na Pontifícia Universidade Católica do Peru. É mestre em Sociologia pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e doutor na mesma disciplina pela Universidade de Essex (Inglaterra). Trabalha como professor principal do Departamento de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Peru. Foi professor visitante em universidades dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, México, Venezuela e Reino Unido. É membro do Conselho Directivo da “Red para el Desarrollo de las Ciencias Sociales”, espaço intelectual dinâmico de discussão neo-marxista sobre a problemática peruana. É Decano da Ordem dos Sociólogos no Peru. Em 2008 criou o primeiro programa de Estudos Culturais no Peru, culminando a investigação em torno destes temas que iniciou no final da década de noventa. A sua obra está fortemente influenciada pelo cunho deixado pelo historiador Alberto Flores Galindo. Bibliografia: De Bustamante a Odría. El fracaso del Frente Democrático Nacional. 1945-1950 (1983), El Perú desde la escuela (1989), Las clases medias: entre la pretensión y la incertidumbre (1998), Razones de sangre. Aproximaciones a la violencia política (1998), Rostros criollos del mal: cultura y transgresión en la sociedad peruana (2004), Racismo y mestizaje y otros ensayos (2007), Figuraciones del mundo juvenil en el cine contemporáneo (2010), Oído en el silencio. Ensayos de crítica cultural (2010), Profetas del odio: raíces culturales y líderes de Sendero Luminoso (2012), La urgencia por decir "nosotros". Los intelectuales y la idea de nación en el Perú republicano (2015), Imaginando al Perú. Búsquedas desde lo andino en arte y literatura (2015). Investigações: La mentalidad de los empresarios peruanos (2003-2004) e Cine peruano contemporáneo: qué nos dice del Perú de hoy (2016), entre outras.

apresentação do seminário

Problematizando el colonialismo
Gonzalo Portocarrero (Pontificia Universidad Católica del Perú)

Os (ab)usos da metageografia
Miguel Bandeira Jerónimo (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)
 
Interculturalidad y (de)colonialidad? Gritos, grietas y siembras desde Abya Yala/América Latina. 
Catherine Walsh (Universidad Andina Simón Bolívar, Equador)

a mediação e a síntese final será feita pela Prof Margarida Calafate Ribeiro


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