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História

A história do Teatro São Luiz  começa em 1892, sob o impulso do ator Guilherme da Silveira, ano em que é constituída uma sociedade para a edificação de um teatro, na antiga rua do Tesouro Velho (desde 1907 chamada António Maria Cardoso) em terrenos pertencentes à Casa de Bragança. Preside o Visconde de São Luiz de Braga, título atribuído pelo Rei D. Carlos I em 1891, com Celestino da Silva, Alfredo Miranda, Alfredo Waddington e António Ramos, familiar de Ramalho Ortigão. Em 22 de maio de 1894, cumprindo um projeto do arquiteto francês Louis-Ernest Reynaud modificado em Lisboa por Emílio Rossi e com um fresco do cenógrafo Luigi Manini, é inaugurado o Theatro D. Amélia, no dia do oitavo aniversário do casamento da rainha com D. Carlos I. A estreia faz-se com a opereta A Filha do Tambor-Mor, de Offenbach.

Dois anos depois, pequenos filmes começam a ser projetados ao intervalo e no final da peça de teatro em cena, tornando-se o Teatro no segundo espaço em Portugal (depois do Real Coliseu) a apresentar ao público português o cinema, à época chamado Cinematographo: A Photographia Animada. Numa tela, atrás da qual é colocada uma máquina de projeção, veem-se filmes todas as noites – entre eles, a primeira imagem portuguesa registada em filme — A Boca do Inferno em Cascais, de Erwin Rousby.

Em 1898, a atriz Eleanora Duse atua neste palco, onde, um ano mais tarde, Sarah Bernhardt interpreta A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, Adriana Lecouvreur, uma peça escrita por si, Tosca, de Sardon, e Hamlet, de Shakespeare. É também aqui que, em 1906, a atriz Palmira Bastos protagoniza Vénus, com grande êxito, e onde, mais tarde, terminará a sua carreira com a peça O Ciclone (1966). Em 1902, faz furor a presença de Julia Bartet, no ano em que também é representada A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas, pela Companhia Rosas & Brasão, ali sediada.

Com a implantação da República, em 1910, é rebatizado como Teatro República. Em 1914, na noite de 12 para 13 de setembro, um incêndio destrói praticamente todo o edifício. Como memória da tragédia, está ainda agora, sobre o palco da sala principal, a imagem daquele a que hoje se chama Santo Amianto, um adereço da peça em cena na altura que, diz-se, foi o único objeto salvo do incêndio.

Com um projeto de arquitetura de Tertuliano Lacerda Marques, o Teatro reabre dois anos depois, com a peça Os Postiços, de Eduardo Schwalbach, uma estreia que contou com a presença do Presidente da República, Bernardino Machado. Em 1917, passa a pertencer aos herdeiros de um dos seus fundadores, António Ramos, e a família Ortigão Ramos adquire os terrenos à Casa de Bragança. É nesse ano que Amélia Rey Colaço se estreia neste Teatro e também que aqui acontece, em abril, a I Conferência Futurista que contou com a presença de Almada Negreiros e de Santa-Rita Pintor.

Em 1918, morre o Visconde de São Luiz de Braga, e em 14 de abril desse ano, em homenagem a este seu grande dinamizador, o Teatro passa a chamar-se Teatro São Luiz.

A 7 de abril de 1928, depois de várias sessões de cinema esporádicas e de por cá terem passado várias figuras como o realizador italiano Rino Lupo e o ator francês Max Linder, transforma-se permanentemente em Cinema, passando a chamar-se São Luiz Cine, com decoração de Leitão de Barros, e estreando em Portugal os mais importantes filmes da época. É aqui, por exemplo, que os portugueses veem, pela primeira vez, Metropolis, de Fritz Lang, acompanhado por uma orquestra dirigida pelo maestro Pedro Blanc que executa a partitura original escrita por Godfried Kuppertz. Em 1930, torna-se uma das primeiras salas a equipar-se para a “era do Cinema Sonoro”, estreando o filme Prémio de Beleza, de Augusto Genina. Também o primeiro filme sonoro português, A Severa, de Leitão de Barros, se estreia no São Luiz Cine, a 18 de junho de 1931.

Em maio de 1971, o edifício é adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa, ganhando a designação Teatro Municipal São Luiz, mas mantendo-se inicialmente como cinema. Aqui funciona um desdobramento da companhia do Teatro Nacional D. Maria II e se dá espaço a uma nova companhia residente, encabeçada por Eunice Muñoz e dirigida por Luiz Francisco Rebello. E por cá passam depois muitas peças de teatro.

Feita uma cedência de espaço, a Companhia Teatral do Chiado ocupa uma das salas a partir de 1991, batizando-a de Teatro-Estúdio Mário Viegas. Em 1999, o Teatro é sujeito a uma intervenção de grandes dimensões na zona do palco, camarins, plateia e zona de público, bem como de restauro.

Desde a sua reabertura, a 30 de novembro de 2002, o São Luiz Teatro Municipal assume como missão a entrega à cidade de um Teatro vivo, com público, enérgico, com centenas de sessões por temporada, por vezes em três apresentações diárias entre a Sala Luis Miguel Cintra, a Sala Bernardo Sassetti e a Sala Mário Viegas.

 

1892
Sob o impulso do Actor Guilherme da Silveira constituiu-se uma sociedade para a edificação de um teatro, na antiga rua do Tesouro Velho, em terrenos pertencentes à Casa de Bragança. Preside o Visconde de São Luiz Braga, com Celestino da Silva, Alfredo Miranda, Alfredo Waddington e António Ramos, familiar de Ramalho Ortigão.

1894
Cumprindo um projecto do arquitecto francês Louis-Ernest Reynaud modificado em Lisboa por Emilio Rossi, é inaugurado oficialmente em 22 de Maio, por suas Majestades o Rei D.Carlos e a Rainha D. Amélia de Orleães, de quem aliás vem a receber o nome de Teatro Dona Amélia. O espectáculo da estreia faz-se com a opereta de Offenbach A Filha do Tambor. A decoração painel fresquista é do cenógrafo Luigi Manini.

1896
Passa a estar equipado com o Cinematographo: A Photographia Animada.

1898
Apresentação de Eleanora Duse. Residência da Companhia Teatral Rosas & Brasão.

1899
A comédia Lagartixa é apresentada por Ângela Pinto.

1902
Exibição de Julia Bartet. É representada A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas pela Companhia Rosas & Brasão.

1903
Lucília Simões tem grande êxito na peça Magda.

1909
Estreia-se em Lisboa neste Teatro a actriz Mimi Aguglia.

1911
O Teatro recebe o nome de Teatro da República na sequência de mudança de regime, em 5 de outubro de 1910. O Jardim de Inverno passa a animatógrafo com a designação The Wonderful.

1913
Sucesso popular com a revista De Capote e Lenço.

1914
Violento incêndio destrói quase todo o Teatro sendo empresário o comerciante e escritor teatral Lino Ferreira. Ideia para reconstrução imediata do Teatro.

1916
Dois anos depois do incêndio a sociedade exploradora do Teatro com o Visconde São Luiz, Celestino da Silva e António Ramos consegue a reabertura do Teatro com projeto do arquiteto Tertuliano Lacerda Marques. A peça de estreia foi Os Postiços, de Eduardo Schwalbach, na presença do Presidente da República, Bernardino Machado.

1917
Estreia-se no Teatro, Amélia Rey Colaço. Conferência Ultimato Futurista por Almada Negreiros.

1918
Morte do Visconde de São Luiz de Braga. Em homenagem ao seu grande dinamizador o Teatro passa a chamar-se Teatro São Luiz.

1927
Revista Bairro Alto com a actriz Aldina de Sousa.

1928
Adaptação do espaço a cinema com decoração de Leitão de Barros, que passa a designar-se Cine-Teatro São Luiz. Estreia do filme de Fritz Lang Metropolis, acompanhamento por uma orquestra de 15 elementos dirigida pelo maestro Pedro Blanc, que executou a partitura original de Godfried Kuppertz (como na estreia de Berlim).

1929
O Jardim de Inverno serve de estúdio de cinema para o filme Ver e Amar, de Chianca de Garcia.

1930
Estreia do cinema sonoro com o filme Prémio de Beleza, de Augusto Genina, com argumento de René Clair, tendo como protagonista Louise Brooks. Estreia do filme A Severa, de Leitão de Barros.

1933
Estreia de A Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo.

1938
Estreia de A Canção da Terra, de Jorge Brum do Canto.

1943
Exibição de O Costa do Castelo, de Arthur Duarte.

1959
Temporada do Teatro Francês programada por Erico Braga.

1965
Obras no Jardim de Inverno no âmbito das comemorações das Bodas de Ouro do Teatro, que, descaracterizado, passou a chamar-se Salão de Festas.

1967
Apresentação da peça António Marinheiro, de Bernardo Santareno, com Maria Lalande, Eunice Muñoz e João Perry.

1971
Torna-se Teatro Municipal com a designação Teatro Municipal São Luiz. O espectáculo de estreia foi A Salvação do Mundo, de José Régio, com a atriz Eunice Muñoz.

1978
Apresentação efémera da Companhia Nacional I, que propunha um repertório popular. A peça de estreia foi Jesus Cristo em Lisboa, de Teixeira de Pascoaes.

1991
Cedência de um dos espaços (Jardim de Inverno) para adaptação e acolhimento da Companhia Teatro-Estúdio Mário Viegas.

1998
Lançamento do Concurso Público Internacional, para as obras de Requalificação e Conservação do Teatro Municipal São Luiz, (programa do Arqt.º Francisco Silva Dias e projectos de Arquitectura da Divisão de Obras do Departamento de património Cultural da CML).

1999
Adjudicação da empreitada “Teatro Municipal São Luiz – Obras de Reabilitação e Conservação” que recebe o apoio da União Europeia.

2000
No âmbito da 2ª fase da empreitada, é lançado, a 29 de junho, o Concurso Público Internacional para a obra de Reabilitação e Beneficiação da Sala Mário Viegas, Jardim de Inverno e Cafetaria com o projeto do Arqt.º José Romano.

2001
Adjudicação da Empreitada do Teatro – Estúdio Mário Viegas, Jardim de Inverno e Cafetaria. Finalização das obras e reabertura do Teatro Municipal São Luiz.

2002
Cedência do teatro para a apresentação do music hall Amália, de Filipe La Féria. Reabertura de todo o equipamento constituído por: Teatro São Luiz, Jardim de Inverno, Teatro-Estúdio Mário Viegas e Café dos Teatros.

2014
Aida Tavares é nomeada diretora artística do Teatro São Luiz, assumindo também a programação do Teatro-Estúdio Mário Viegas que se passa a chamar Sala Mário Viegas. Neste ano, o Teatro começa a programação São Luiz Mais Novos, dirigida a crianças e jovens, da responsabilidade de Susana Duarte.

2016
A Sala Principal é batizada Sala Luis Miguel Cintra.

2017
O Jardim de Inverno passa a chamar-se Sala Bernardo Sassetti.

2019
O Teatro São Luiz celebra 125 anos de existência.