TEATRO SÃO LUIZ: 132 ANOS DE HISTÓRIA E CRIAÇÃO
O Teatro São Luiz afirma-se como um fórum vivo e democrático, dedicado à liberdade da criação artística, ao pensamento crítico e ao intercâmbio de ideias. Com um legado de 132 anos profundamente enraizado em Lisboa, a nossa missão é ser uma casa aberta, onde a cultura é um direito. Assumimos um compromisso com a inclusão e a representatividade, garantindo que a nossa programação — do teatro à música, da dança à literatura — seja acessível e plural. Mais do que um palco de memórias, trabalhamos diariamente para que seja um espaço de futuro, onde a acessibilidade física e intelectual assegura que cada vez mais pessoas, possam participar plenamente na vida cultural da cidade.
A identidade do teatro reflete-se na singularidade dos seus três palcos. A sala Luis Miguel Cintra, o coração do edifício, preserva o encanto da arquitetura à italiana de finais do século XIX, deslumbrando com os seus vermelhos, dourados e o icónico lustre. Com lotação para 683 espectadores e fosso de orquestra, mantém a alma do projeto original de 1894. Em contraste, a sala Mário Viegas assume-se como uma black box versátil e íntima para 102 pessoas, enquanto a sala Bernardo Sassetti surpreende pela sua luz natural, cobertura de ferro e vidro e pela pintura original de Luigi Manini, oferecendo um ambiente informal para até 270 espetadores.
A nossa História é feita de histórias. Inaugurado como Theatro D. Amelia em 1894, o espaço foi um dos primeiros a apresentar o “Cinematographo” em Portugal e recebeu lendas como Sarah Bernhardt e Palmira Bastos. Após o trágico incêndio de 1914 — que deixou como memória o “São Amianto”, o adereço sobrevivente que ainda hoje habita o palco principal — o teatro renasceu em 1916. Foi aqui que se gritou o futurismo de Almada Negreiros e onde o país assistiu à estreia do primeiro filme sonoro português, A Severa, em 1931. Rebatizado em homenagem ao Visconde de São Luiz de Braga em 1918 e profundamente restaurado em 2002, o São Luiz continua a ser um fórum eclético onde o património e a vanguarda se encontram para servir a cidade e todos os que a visitam.
Hoje, o São Luiz consolida-se como um teatro de cidadania e um centro nevrálgico da criação contemporânea, desafia artistas e espectadores a refletirem sobre as questões urgentes do nosso tempo, projeta-se no futuro como um lugar onde a tradição dialoga com a inovação – um palco de todas as histórias, São Luiz também é Casa.
Alguns marcos históricos:
1894: Inauguração como Theatro D. Amelia.
1914-1916: Destruição por incêndio e reconstrução por Tertuliano Lacerda Marques.
1918: Recebe o nome atual: Teatro São Luiz.
1931: Estreia de A Severa, o primeiro filme sonoro português.
2002: Reabertura após profunda remodelação – o modelo que hoje conhecemos.
SABIA QUE… algumas curiosidades
1. O Milagre do “São Amianto”
No palco principal habita o São Amianto, um adereço sobrevivente ao incêndio de 1914. Hoje, “santo padroeiro” da casa, acompanhando gerações de artistas.
2. O Berço do Cinema em Portugal
O São Luiz filmes logo em 1896 e, em 1931, estreou A Severa, a primeira longa-metragem sonora portuguesa, um fenómeno de bilheteira durante meio ano.
3. O Escândalo Futurista
Em 1917, o São Luiz foi o berço do modernismo em Portugal ao acolher a histórica e polémica I Conferência Futurista de Almada Negreiros e Santa-Rita Pintor.
4. A Mão do Mestre da Regaleira
A Sala Bernardo Sassetti guarda o traço de Luigi Manini, o arquiteto da Quinta da Regaleira. A sua estética romântica e detalhista confere ao espaço uma atmosfera única.
5. Nome “Camaleónico”
Theatro D. Amelia (1894) – Em homenagem à Rainha.
Teatro República (1910) – Batizado após a queda da monarquia.
Teatro São Luiz (1918) – Em memória do Visconde de São Luiz de Braga.
Teatro Municipal São Luiz (1971) – Quando passou para as mãos da CML.