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CONCERTO DE NATAL

Orquestra Clássica Metropolitana
© Pedro Proença
Datas e Horários

19 dezembro
Quarta, 21h

Entrada livre sujeita à lotação da sala
Bilhetes disponíveis no próprio dia, a partir das 13h, no limite de dois por pessoa

Local

Sala Luis Miguel Cintra

Classificação

M/3

Descrição

A Orquestra Clássica Metropolitana é formada pelos alunos da Escola Profissional da Metropolitana, que celebrou recentemente a sua primeira década de atividade. Assim, também já o seu Concerto Natal faz parte dos tradicionais festejos natalícios da cidade de Lisboa. No programa deste ano, tudo começa e termina com música recheada de fantasia. Primeiro a introdução da ópera de Mozart A Flauta Mágica, uma breve evocação das difíceis provações que o príncipe Tamino tem de ultrapassar para resgatar a sua amada num enredo sobrenatural. Por fim, a suíte orquestral em que Tchaikovsky reuniu os melhores momentos do bailado onde um corajoso Quebra-Nozes enfrenta o exército do Rei dos Ratos para depois viajar com uma menina chamada Clara à Terra dos Doces, onde conhecem a Rainha das Neves e a Fada do Açúcar. Pelo meio, o pianista António Rosado interpreta o Concerto para Piano N.º 5 de Beethoven. Escrito pela mesma altura da Quinta Sinfonia, faz eco da invasão da cidade de Viena pelas tropas de Napoleão. Também é conhecido por «Imperador», desde que um editor tomou a liberdade de lhe acrescentar esse título, porventura inspirado pelo ambiente majestoso que o atravessa.

ABERTURA DA ÓPERA A FLAUTA MÁGICA

Wolfgang Amadeus Mozart começou a trabalhar na ópera A Flauta Mágica em março de 1791, mas a sua abertura foi a última parte do manuscrito a ser completada. A estreia teve lugar no dia 30 de setembro do mesmo ano, num pequeno teatro dos arredores de Viena, o Theater auf der Wieden. O compositor sobreviveu pouco mais de dois meses àquela data.

A abertura d’A Flauta Mágica ocupa um lugar muito singular no contexto do legado mozartiano. Trata-se da última partitura que o compositor austríaco escreveu para uma formação exclusivamente orquestral, sem vozes ou parte solista. A quase totalidade da ópera foi composta no verão de 1791. Depois, Mozart teve de se dedicar a La Clemenza di Tito, outra ópera, destinada à proclamação do imperador Leopoldo II. Só mais tarde viria a escrever estes cerca de sete minutos de música que dão início ao espectáculo que se popularizou, em boa medida, graças ao dueto entre Papageno e Papagena e à ária da Rainha da Noite.

A Flauta Mágica permanece, ainda hoje, um dos mais emblemáticos símbolos dos ideais iluministas do século XVIII, assente num enredo em que o conceito de igualdade é aplicado à condição humana por intermédio das difíceis provações a que o príncipe Tamino se tem de sujeitar para resgatar e obter a mão da sua amada. Curiosamente, e ao contrário do que acontece em tantos outros casos, esta abertura não ilustra linearmente momentos ou personagens da ópera; não introduz o espectador no ambiente dramático que prevalece ao longo da mesma. Alterna acordes majestosos – porventura conotados com o simbolismo maçónico – com partes fugadas, sempre apontando para o final triunfante que dá início ao enredo.

O CONCERTO IMPERADOR

Beethoven compôs o concerto Imperador a meio do ano de 1809, enquanto a cidade de Viena era bombardeada pelas tropas francesas. Basta lembrar o episódio da dedicatória rasurada na Sinfonia Eroica, para adivinhar que, havendo um herói neste concerto, não seria seguramente Napoleão Bonaparte.

O Concerto para Piano e Orquestra N.o 5, conhecido por Imperador, foi composto a meio do ano de 1809, quando a cidade de Viena era bombardeada pelas tropas francesas. Nesta altura, Viena já não apresentava o esplendor de outros tempos, até porque grande parte das famílias aristocratas haviam partido para regiões mais seguras. Lembre-se, todavia, que a designação «Imperador» que dá título a este concerto não é da autoria de Beethoven, mas sim do editor que publicou a partitura em Inglaterra. De qualquer das formas, basta lembrar o episódio da dedicatória rasurada no manuscrito da Sinfonia Eroica, para nos assegurarmos que, havendo um herói neste concerto, não seria seguramente Napoleão Bonaparte. Diante da impetuosidade do primeiro andamento, e sabendo o contexto em que a obra foi escrita, resulta difícil dissociá-la dos sons da artilharia que se deveriam fazer escutar sem interrupção em torno do compositor. Contrariando o que seria à época expectável de um concerto para solista e orquestra, o piano evita de início um tema melódico evidente, preferindo irradiar efeitos sonoros por entre uma orquestra que já não se limita à função de acompanhamento. O contraste é grande, quando nos deparamos com tranquila apreensão do segundo andamento, que tem início com um coral «entoado» pela orquestra ao qual o piano responde com uma melodia muito simples, mas carregada de expressão. No final, regressa de novo a inquietação rítmica, desta vez com uma dança popular alemã que nos conduz a um final
retumbante.

SUITE DO BAILADO O QUEBRA-NOZES

Apesar de ter sido composta por Tchaikovsky há já mais de um século, só desde há cinquenta anos a música do bailado O Quebra-Nozes se tornou verdadeiramente conhecida do grande público, em boa medida graças à concisão e popularidade da Suíte Orquestral Op. 71a. As oito curtas peças desta suíte são recorrentemente utilizadas pelos criativos da publicidade e, sobretudo, tornaram-se presença obrigatória na paisagem sonora natalícia, fenómeno a que não é alheio o enredo do espetáculo estreado no Teatro Mariinsky, em 1891.

O bailado baseia-se num conto com o título O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos. Conta a história de uma menina chamada Clara que, com seu irmão Fritz, esperava ansiosamente a chegada dos familiares na noite de Natal; em particular de um tio que construía brinquedos mecânicos. Já se vê que tudo tem início com uma das ofertas, neste caso um presente muito estranho. Trata-se de um quebra-nozes de madeira com aparência de soldadinho de chumbo. A menina ficou fascinada pelo objeto e, ao deitar-se, abandonou-se num sonho espetacular: Ao comando de outros soldados, também de brincar, o corajoso Quebra-Nozes enfrenta o Rei dos Ratos e seu exército. Conseguiu vencer, com a preciosa ajuda de Clara. Este é o início de uma amizade muito especial que experimentará grandes aventuras. Vão juntos à Terra dos Doces, conhecem a Rainha das Neves e a Fada do Açúcar. Entretanto, o Quebra-Nozes transforma-se num belo e jovem príncipe… e dançam juntos sem parar. Infelizmente os sonhos acabam. Mas fica a música para comprovar que tudo o que se passou foi bem real. O compositor, Piotr Ilitch Tchaikovsky, escolheu algumas das melhores partes e preparou estas oito peças orquestrais que nos permitem hoje sonhar com esse mundo fantástico, sem recurso a bailarinas, atores ou filmes 3D. Embalados por música de sonhar, tudo se confia à imaginação de cada um de nós.

Textos de Rui Campos Leitão

Programa

W. A. Mozart Abertura da ópera A Flauta Mágica, KV 620
L. v. Beethoven Concerto para Piano e Orquestra N.º 5, Op. 73, Imperador
P. I. Tchaikovsky Suíte do bailado O Quebra-Nozes, Op. 71a (versão do próprio compositor)

Solista: António Rosado
Maestro: Reinaldo Guerreiro

Programa detalhado

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) – Abertura da ópera A Flauta Mágica, KV 620 (1791)
(7’)

Ludwig van Beethoven (1770-1827) – Concerto para Piano e Orquestra N.º 5 em Mi Bemol Maior, Op. 73, Imperador (1809)
(32’)
I. Allegro
II. Adagio un poco mosso
III. Rondo: Allegro

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893) – Suíte do bailado O Quebra-Nozes, Op. 71a (1892; versão do próprio compositor)
(22’)
I. Abertura miniatura
II. Marcha
III. Dança da fada do açúcar
IV. Dança russa, Trépak
V. Dança árabe
VI. Dança chinesa
VII. Dança das flautas de mirlitão
VIII. Valsa das flores

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