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A Praia

De Peter Asmussen
Encenação João Reis
©Estelle Valente
Datas e Horários

6 a 17 julho
quarta a sábado, 20h; domingo, 17h30

Local

Sala Luis Miguel Cintra

Duração

2h aprox.

Preço

€12 a €15 (com descontos)

Classificação

M/12

Acessibilidade
Língua Gestual Portuguesa Audiodescrição

17 julho, domingo, 17h30

Descrição

Dois casais, Jan e Sanne e Benedikte e Verner, conhecem-se acidentalmente durante umas férias de verão, num hotel isolado no litoral da costa nórdica. “Os poucos hóspedes que aqui aparecem são sempre esquisitos e preferem manter-se isolados”. É a partir deste enunciado, lançado no início da peça, que Peter Asmussen retira o pretexto para justificar a aparente afasia e disfunção das suas personagens. O espetáculo, encenado por João Reis, leva-nos por desassossegos, estranhas melancolias e ironias, sempre com necessidades de consolo impossíveis de satisfazer. “É dessa impossibilidade que vem a força e o jogo de aproximação e fuga deste texto. O que é extraordinário neste texto de Asmussen é que, apesar da catástrofe iminente, há ainda espaço para um último fôlego. Como se as personagens esperassem um qualquer salva-vidas, alguém que os possa resgatar do naufrágio iminente e do seu sonambulismo e os possa reconduzir a um outro lugar, mesmo que de ilusória harmonia”, escreve João Reis.

FOLHA DE SALA


 

Uma Praia privada

Perguntamo-nos: o que é que faz alguém regressar repetidamente a um mesmo lugar, numas desejadas férias de Verão, sem que se vislumbre qualquer indício de algo que nos prenda definitivamente?
O local é insípido e deserto, sem pontos de interesse assinaláveis, com um hotel de serviço medíocre e condenado a ser engolido pelo mar nos próximos anos, não há crianças e “os poucos hóspedes que existem são esquisitos e preferem manter-se isolados”.
Jan e Sanne estiveram ali pela primeira vez no ano do seu casamento. E foram regressando sempre, por nostalgia, por inércia, por incapacidades várias que se manifestam na repetição da escolha e no isolamento que ela sugere. Verner e Benedikte, por sua vez, foram parar ali por acaso, reserva de última hora, mas tal como os outros dois, acabam por voltar sempre, como um vírus que se replica e que os quatro vão alimentando entre si.
Talvez que um lugar assim, a ser escolhido por vocação, nos assalte de incertezas relativamente à personalidade dos hóspedes?  Ou talvez não, talvez sejam pequenos e destemidos sinais, lançados para nosso reconhecimento? Seja como for, quem procura ou repete um lugar onde nada acontece, está seguramente a despedir-se ou a fugir de alguma coisa.
A Praia tem um efeito curioso na sua dimensão de refúgio inusitado, convoca as dúvidas e os fantasmas dos casais em fim de linha ou em crise, mas acrescenta-lhes uma melancólica exaltação reforçada pela escolha do lugar e pela natureza das suas motivações, de cada vez que regressam.
A melancolia aqui é a repetição, é uma necessidade de consolo impossível de satisfazer – parafraseando aqui um título de Stig Dagerman, o escritor suicida –  em que os hóspedes, são assim uma espécie de náufragos, afundados em champanhe e pedrinhas de âmbar e conversas mais ou menos banais sobre o que “aconteceu o ano passado”.
Este somatório de equívocos e desencontros, desenvolvido habilmente por Asmussen em quatro andamentos distintos, transforma este quarteto, quase sempre desafinado e desatinado, num depositário das coisas, que ficam sempre por dizer…

João Reis

Ficha Técnica

Encenação João Reis Assistente de encenação Marta Félix Texto Peter Asmussen Tradução João Reis Interpretação Filipa Leão, João Pedro Vaz, João Vicente e Lígia Roque Desenho de luz Nuno Meira Cenografia e adereços Daniela Cardante Desenho de som Francisco Leal Figurinos Nuno Baltazar Registo do processo João Cardoso Ribeiro Produção executiva Pinguim Púrpura Produção O Lince Viaja Coprodução Teatro Nacional São João e São Luiz Teatro Municipal Projeto financiado por República Portuguesa – Cultura / Direção Geral das Artes Apoios Polo Cultural das Gaivotas | Boavista, IFICT e CPBC – Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo Agradecimentos Agostinho Trindade, Daniel Courinha, Guilherme da Luz, Patrícia Soares, Rita Morais, Rui M. Silva, Sara de Castro e Sociedade de Instrução e Recreio de Janes e Malveira

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