FOLHA DE SALA
IL CANTO DELLA CADUTA – A CANÇÃO DA QUEDA
Livremente inspirado no mito de Fanes
Fontes de pensamento e palavras: Kläre French-Wieser; Carol Gilligan; Ulrike Kindle; Giuliana Musso; Heinrich von Kleist e Christa Wolf
O mito de Fanes é uma tradição popular dos Ladinos, uma pequena minoria étnica que vive nos vales centrais das Dolomitas.
É um ciclo épico que fala de um reino pacífico liderado por mulheres rainhas, destruídas pelo início de uma nova era de domínio e da espada. É a canção negra da queda no horror da guerra.
Hoje ainda estamos imersos num sistema de guerras incessantes. Parece que a guerra é uma parte inevitável do destino da humanidade. O mito de Fanes, pelo contrário, fala de um tempo dourado de paz que foi perdido.
Il canto della caduta quer trazer à luz a história de como éramos, dessa alternativa social desejável para o futuro da humanidade, que é sempre apresentada como uma utopia irrealizável. Mas talvez já tenha existido.
O tema central do espetáculo é a guerra. Uma guerra que nunca é vista em cena. No entanto, ela está lá, através do ponto de vista das únicas personagens que sempre a souberam aproveitar: os corvos.
Os corvos de Il canto della caduta são manipulados através de joysticks mecânicos, projetados e construídos pela cenógrafa Paola Villani, recorrendo a tecnologias aplicadas em animatrónica, normalmente utilizada em efeitos especiais no cinema, e criados a partir de componentes industriais, afastando-se da imagem tradicional do teatro de marionetas, que na Itália ainda está muito ligada à tradição popular.
O mito de Fanes refere que os poucos sobreviventes ainda estão escondidos nas entranhas da montanha, à espera que o “tempo prometido” retorne. Uma era dourada de paz em que o povo de Fanes poderá finalmente voltar à vida.
Nota-se a presença de sons perturbadores fortes e repetidos e frequentes flashes de luz durante o espetáculo.