O mundo no banco dos réus: quem será o culpado?
Tipping Point é um espetáculo de teatro documental que coloca o público no centro de um drama judicial. No banco dos réus senta-se o representante de uma das maiores multinacionais de energia do mundo, acusado de cumplicidade num dos desastres ambientais mais devastadores do nosso tempo. A explosão numa plataforma petrolífera expõe a fragilidade dos nossos sistemas, o poder desmedido dos gigantes dos combustíveis fósseis e o emaranhado letal entre a ganância e a negligência sistémica.
É mais do que o relato da maior catástrofe ambiental nos Estados Unidos – é uma reflexão sobre um mundo onde a natureza luta para sobreviver sob a lógica implacável do capital.
A explosão da plataforma Deepwater Horizon (2010) – O acidente no Golfo do México, causado pela empresa British Petroleum (BP), tornou-se o símbolo do desastre ecológico e da negligência empresarial. A explosão vitimou 11 trabalhadores e o petróleo foi derramado para o mar durante 87 dias. Estima-se que cerca de 780 milhões de litros de petróleo bruto (cerca de 4,9 milhões de barris) tenham sido libertados no oceano.
As consequências foram devastadoras: ecossistemas destruídos, costas poluídas e danos irreparáveis para as comunidades locais. Os custos de limpeza, multas e indemnizações ultrapassaram os 65 mil milhões de dólares – mas nenhum dinheiro pode devolver as vidas perdidas e a natureza destruída. Durante a catástrofe, o CEO da BP, Tony Hayward, tornou-se o rosto da irresponsabilidade corporativa. As suas declarações públicas suscitaram indignação e críticas ferozes, intensificando a reação negativa dos media e do público.
Esta criação põe em evidência os riscos associados à exploração ilimitada dos recursos naturais e revela os desafios globais ligados ao transporte, ao comércio e à nossa dependência dos combustíveis fósseis. Coloca questões essenciais sobre a responsabilidade das empresas e a procura de um equilíbrio entre o crescimento económico e a proteção do ambiente.
Projeto Transport: face à urgência climática, o encenador esloveno Tin Grabnar reuniu seis teatros de marionetas em torno de um projeto europeu sobre o impacto dos transportes no mundo contemporâneo. No espírito de uma série em seis episódios, que podem ser vistos em conjunto ou separadamente, cada espetáculo foca-se numa questão específica ligada às consequências do tráfego mundial e da globalização.
BIO
Fundado em 1966 em Pilsen como um teatro direcionado às gerações mais jovens, a companhia mudou o seu nome para Divadlo Alfa em 1992, enfatizando assim a sua constante e progressiva abertura a novas formas de espetáculo, capazes de chegar a um público cada vez mais vasto e diversificado.
Desde 1967, organiza o festival Skupova Plzeň, uma montra do teatro de marionetas checo, tendo conquistado ao longo dos anos vários prémios internacionais pelas suas produções originais e inovadoras.








