Do dramaturgo austríaco Peter Handke, A hora em que não sabíamos nada uns dos outros (1992) é uma peça originalmente composta por 450 personagens, caminhando numa praça representada como uma cidade.
“O detonador da peça foi uma tarde de vários anos atrás. Tinha passado o dia inteiro numa pequena praça em Muggia, perto de Trieste. Sentei-me no terraço de um café e vi a vida a passar. Entrei num verdadeiro estado de observação, talvez isto tenha sido ajudado um pouco pelo vinho. Cada pequena coisa tornou-se significativa (sem ser simbólica). Os procedimentos mais minúsculos pareciam significativos do mundo.” escreveu Peter Handke.
O seu objetivo seria criar um dia na vida de uma praça seguindo um conjunto de direções de palco.
A Olga Roriz interessa-lhe questionar, 31 anos passados da criação desta peça, o que mudou no mundo. “Parece-nos que este título nos quer dizer agora muito mais. Que o que sabemos uns dos outros e de nós próprios é um poço cada vez mais escuro e que é urgente abrir canais à transformação, à criação da utopia”, reflete a coreógrafa.