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ERA UM PEITO SÓ CHEIO DE PROMESSAS

de Miguel Pereira
©Fernanda Ruiz
Datas e Horários

2 a 4 abril
sexta e sábado, 20h; domingo, 17h30

Local

Sala Luis Miguel Cintra

Preço

€12 a €15 (com descontos) | (Gratuito com Passe Cultura - disponível apenas na bilheteira do Teatro)

Classificação

A classificar pela CCE

Descrição

Criada a convite das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, esta obra do coreógrafo Miguel Pereira reflete sobre o legado e as consequências civilizacionais desse período na contemporaneidade, nomeadamente na identidade da dança atual.
Ao questionar conceitos como globalização e universalidade, o espetáculo indaga o que define hoje a dança em países como Portugal, Brasil, Chile ou Uruguai. Terá ela nascido de uma cultura dominante? Que expressão resta ao “outro” perante a imposição histórica?
O ponto central da reflexão artística é a morte de Magalhães antes de terminar a missão, sendo a viagem concluída por Elcano. Numa analogia a essa interrupção, o projeto pensa o momento em que um sistema conceptual, político ou estético colapsa para dar lugar a um novo paradigma. Questiona-se o que aconteceria se o “criador” europeu desaparecesse e a sua lógica de autoria fosse abalada.
A peça, que se estreou em Montevideu em dezembro de 2019, assume-se como uma deriva inacabada e irresolúvel, atravessada pelas imprevisibilidades e surpresas de uma verdadeira viagem.

 

Fui desafiado a criar esta obra no âmbito das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão Magalhães que se realizaram ao longo de 2019 e 2020. Realizei a criação deste espectáculo tentando reflectir de algum modo sobre o legado e as possíveis consequências, civilizacionais, desse período na nossa contemporaneidade e naquilo que hoje nos define, nomeadamente no campo artístico e na forma como essa herança afectou e definiu, por exemplo, a identidade da dança que fazemos. Questionando esse património histórico, reflectindo sobre conceitos como o de globalização e universalidade, inaugurados de certo modo pela aventura das descobertas e assimilados na nossa contemporaneidade, qual é verdadeiramente a minha dança, a nossa dança, a dança de Portugal, do Brasil, do Chile ou do Uruguai hoje? Será que a minha dança, por exemplo, nasceu ela de uma cultura dominante, que se impôs a todas as outras? Até que ponto se disseminou e qual a dimensão do seu impacto? Ao me colocar perante o outro, diferente, que terá sido sujeito a essa imposição histórica, que dança lhe pode restar? O que a define? Quais as suas características intrínsecas? É possível identificá-las?

Na história da epopeia de Magalhães há um episódio que se torna relevante para o desfecho do evento e que se tornou central na reflexão para esta criação, a sua morte durante uma emboscada, antes de terminada a sua missão. Perante tal facto, é o seu colega espanhol, Elcano, que dá continuidade e termina a viagem.
Numa espécie de analogia, a morte de Magalhães, literal e metafórica, surgiu neste projecto como uma possibilidade de se pensar o momento em que algo acaba ou se interrompe, e como a partir daí se desenha uma outra perspectiva, um novo paradigma. Como ponderar a passagem de um sistema para outro sistema, seja ele conceptual ou político, ou mesmo estético? Como confrontar e pensar o passado e os seus fantasmas, ao mesmo tempo que se tenta vislumbrar e habitar outros mundos, outras existências, corpóreas ou imateriais? O que aconteceria se o “criador” europeu “morresse”? Se de repente essa autoria e essa lógica fossem abaladas ou deixassem de fazer sentido? Que marcas deixaria para os que ficam? E que desafios se poriam perante os que continuam? Como ultrapassar a herança e o trauma e abrir novos campos de acção?

Esta peça estreou em Montevidéu, em Dezembro de 2019, ainda inacabada, irresolúvel talvez, atravessada por vicissitudes várias, tal qual uma viagem, ou uma deriva, com as suas imprevisibilidades e surpresas, talvez pequena demais para abarcar tamanha ambição.

Miguel Pereira

Ficha Técnica

Direção Miguel Pereira Apoio à dramaturgia Marcelo Evelin Interpretação e cocriação Miguel Pereira, Rafael Silva Provoste, Bruno Brandolino, Sérgio Diogo Matias Desenho de luz Leticia Skrycky Música e Sonoplastia Diogo Alvim Assistência Luna Anais Produção O Rumo do Fumo Coprodução Teatro Municipal do Porto e São Luiz Teatro Municipal Apoios Auditorio Nacional del Sodre (Uruguai), Câmara Municipal de Lisboa / Divisão de Ação Cultural / Direção Municipal de Cultura (Portugal), CAMPO | gestão e criação em arte contemporânea (Brasil), Casa da América Latina (Portugal), Embaixadas de Portugal no Brasil, no Chile e no Uruguai/Camões I.P., Festival de Artes Cielos del Infinito (Patagónia), Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal), INAE – Instituto Nacional de Artes Escénicas (Uruguai), NAVE (Chile) /// O Rumo do Fumo é uma estrutura financiada por República Portuguesa – Cultura | Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa

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